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Os Imigrantes Japoneses e o Café

A história dos japoneses no Brasil, desde a sua chegada, há 100 anos, está intimamente ligada ao café. As maiorias dos imigrantes aqui chegados dirigiam-se para as fazendas de café. O primeiro navio com leva de imigrantes japoneses foi o KASATO-MARU. Depois seguiram-se outros, transportando imigrantes que se dirigiam à lavoura cafeeira distribuídos inicialmente na zona da Mogiana e posteriormente à de Araraquara, Noroeste, Sorocabana e Paulista.

Assim, a história dos japoneses no Brasil está ligada às fazendas, onde se habituaram ao novo ambiente econômico e social. É inegável que a vida desses imigrantes foi penosa e árdua no inicio, mas venceram graças à perseverança e heroísmo. O contrato que os prendia às fazendas variava de 3 a 4 anos, durante os quais se dedicavam ao plantio e tratamento do cafeeiro, que crescia e florescia. Viveram e lutaram como café e pelo café.

 

Sitiantes

Terminado o período contratual, de posse de sua pequena economia, procuraram logo a seguir adquirir terras que, por menor que fossem, seriam de sua propriedade. Começa assim, a vida do chamado sitiante. Nessa fase, já se mostravam ambientados com o meio cafeeiro e as florestas que os amedrontavam não mais causavam receio e hesitação. Empenhados estavam em aplicar integralmente os conhecimentos adquiridos, no cultivo de seu próprio cafezal. Amanheciam com a rubiácea e acalentavam sonhos de um se tornarem grandes fazendeiros. Para isso deram sua existência a causa cafeeira. Suas vidas nessa época foram talvez de maiores dificuldades do que no tempo em que serviam aos fazendeiros, pois o dinheiro era escasso e o credito restrito, mas trabalhavam para um ideal que era impossível de se realizar no país de origem.

Com o passar dos tempos, no seio desses sitiantes começaram a aparecer elementos que procuraram dedicar-se ao comércio, notadamente de café: iniciavam como compradores , transformando-se posteriormente em proprietários de máquinas de beneficio.

 

Maquinistas

Antes da Segunda Guerra Mundial o numero de maquinistas era relativamente pequeno, estavam ainda na fase de experiência. Terminado o Grande Conflito, desta vez com um pouco mais de dinheiro, facilidade de comércio em virtude da liberação dos bens dos súditos, maior volume de crédito que os bancos começaram a lhes dar, surgiu um maior numero de maquinistas que se espalharam pelo interior do Estado de São Paulo e, principalmente no norte do Estado do Paraná, que deu inicio a NOVA ERA da cafeicultura do Brasil.

Os imigrantes que tinham começado o plantio e a formação de cafezais atingiam também a fase do beneficiamento. Com seus cafés armazenados no interior em depósitos juntos as suas máquinas a preocupação era transporta-los para os portos de exportação e, se possível levá-los aos países consumidores. Essa esperança e ambição, dia-a-dia crescia e tomava forma.

 

Memorável Reunião dos Cefeicultores e Maquinistas

No dia 23 de setembro de 1951, um grupo de pessoas da colônia japonesa, entre cafeicultores e maquinistas, reuniram-se na residência de um prospero e empreendedor fazendeiro de Cornélio Procópio, no Estado do Paraná, para discutir assuntos sobre o futuro desses cafés empilhados em improvisados depósitos nos arredores de suas residências e máquinas.

Depois de longos e acurados estudos, entremeados de calorosos debates, todos visando o mesmo fim, resolveram fundar uma empresa de armazéns gerais no Porto de Paranaguá, à semelhança de muitos existentes que prosperavam em Santos e Paranaguá.

Os cafés colhidos nas fazendas estariam assim no cais, mercê do conjugado esforço de todos que se identificavam com os mesmos ideais. Possibilitaria a venda direta aos exportadores. Posteriormente estudariam a fundação de uma empresa que cuidasse de atravessar os mares e oceanos, levando o fruto de seu sangue suor, diretamente ao mercado externo. Formariam com o passar dos tempos uma corrente ininterrupta da produção, beneficiamento, depósito à exportação.

 

Nascimento de uma Nova Organização

Assim resolvido, organizou-se uma comissão que trataria da fundação de uma empresa de armazéns gerais no porto de Paranaguá, no Estado do Paraná.

Essa comissão convocou uma Assembléia para 3 de novembro de 1951, a fim de apreciar as conclusões de seus estudos e nessa memorável data, aguardada com tanta esperança e ventura pelos produtores e maquinistas de café, foi fundada a COMPANHIA PRODUTORES DE ARMAZÉNS GERAIS, concretizando em definitivo, o sonho e o ideal de todos.

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